Atrizes.

11 01 2010

“Amo-a Harry. Ela é tudo para mim, na vida. Noite após noite, vou vê-la representar. Uma noite ela é Rosalinda, outra é Imogênia. Vi-a morrer na escuridão de uma tumba italiana, sugando o veneno dos lábios do seu amado. Segui-a quando errava pelos bosques de Arden, disfarçada de belo rapaz de calças, gibão e gracioso gorro. Vi-a louca na presença de um rei perverso, para quem levava ramos de arruda e a quem dava a provar ervas amargas. Era inocente e as negras mão do ciúme comprimiam-lhe a garganta semelhante a um caniço. Vi-a em toda as épocas e em todos os trajes. As mulheres vulgares nunca excitam a nossa imaginação. Estão limitadas ao seu século. Não há magia que possa transfigurá-las. Pode-se conhecer a sua mente como se conhecem os seus chapéus. Podemos encontrá-las sempre. Não há mistério em nenhuma delas. De manhã, passeiam no seu carro pelo parque; de tarde, tagarelam tomando chá. Têm sorrisos estereotipados e as atitudes estudadas. São completamente transparentes. Mas uma atriz, Harry! Por que não me disse que o único ser digno de amor é uma atriz?”

Oscar Wilde. Livro “O retrato de Dorian Gray”.





Dominados pelo pecado.

11 01 2010

“De acordo com os psicólogos, há momentos em que o desejo do pecado, domina de tal modo a nossa natureza, que cada fibra do corpo e cada célula do cérebro parecem ser movidos por impulsos terríveis. Em tais momentos, os homens e as mulheres perdem a sua liberdade e seu arbítrio. Dirigem-se como autômatos para seu fatal objetivo. O direito de escolher lhes é recusado e sua consciência está morta, ou, se ainda vive, é somente para emprestar atrativos à rebelião e encanto à desobediência.”

Oscar Wilde. Livro “O retrato de Dorian Gray”.





Causando ciúmes a Romeu…

11 01 2010

“_Esta noite ela vai ser Imogênia_respondeu_, e amanhã de noite será Julieta.
_Quando é Sibyl Vane?
_Nunca.
_Felicito-o.
_Você é impossível! Ela sozinha encarna todas as grandes heroínas do mundo. Ela é mais que uma individualidade. Você está rindo,mas já lhe havia dito que ela era genial. Amo-a e preciso que ela me ame. Você, que conhece todos os segredos da vida, diga-me agora que magia hei de empregar para que Sibyl Vane me ame! Quero causar ciúmes a Romeu. Quero que todos os amantes mortos do mundo nos ouçam rir e se sintam entristecidos. ”

Oscar Wilde. Livro “O retrato de Dorian Gray”.





Antes só…

11 01 2010

“_Quando procuramos sobressair, criamos sempre inimigos. Para ser popular é necessário ser medíocre.”

Oscar Wilde. Livro “O retrato de Dorian Gray”.





Maus hábitos.

11 01 2010

“O homem com quem fugiu minhamulher interpretava Chopin maravilhosamente. Pobre Vitória! Eu a estimava muito! A casa está vazia sem ela. É claro que a vida conjugal não passa de um hábito, de um mau hábito, aliás. Mas costumamos lamentar até mesmo a perda de nossos piores hábitos. Talvez justamente desses é que tenhamos mais saudades. São uma parte essencial de nossa personalidade.”

Oscar Wilde. Livro “O retrato de Dorian Gray”.





Dinheiro.

10 01 2010

“_Dinheiro, suponho_disse Lorde Fermor, franzindo o sobrolho._Bem, senta-te e dize-me de que se trata. Os jovens de hoje pensam que o dinheiro é tudo.
_Sim_murmurou Lorde Henry, ajeitando a flor na lapela do paletó;_e quando se tornam velhos o comprovam.”

Oscar Wilde. Livro “O retrato de Dorian Gray”.





Hábitos estereotipados

9 01 2010

“Os espelhos lívidos encontram novamente sua vida mímica. As luzes apagadas estão onde as havíamos deixado, e a nosso lado acha-se o livro de páginas ainda ligadas que folheáramos, ou a flor preciosa que usáramos no baile, ou ainda a carta que tínhamos tido receio de ler ou que tínhamos relido muitas vezes. Nada mudou. Afastada das sombras irreais da noite, ressurge a vida, na sua realidade já conhecida. Devemos retomá-la onde a deixamos e apodera-se de nós o terrível sentimento da continuidade necessária da energia no mesmo círculo monótono de hábitos estereotipados, ou então somos presas de um desejo selvagem de que nossas pálpebras se abram um dia sobre um mundo que tivesse sido refundido nas trevas para o nosso próprio prazer, um mundo onde as coisas apresentariam novas formas e cores, que teria mudado ou que teria outros segredos, um mundo em que o passado ocuparia pouco ou nenhum lugar, em que as lembranças não sobreviveriam sob a forma inconsciente de obrigação ou de pesar, uma vez que a recordação da própria felicidade oferece amarguras, assim como a lembrança do prazer já contém sua dor.”

Oscar Wilde. Livro “O retrato de Dorian Gray”.