2012, o calendário maia e Boécio.

19 12 2009

Faz pouco tempo que assisti ao filme “2012”, mais um ‘filme catástofre’ com o diferencial de que em seu trailer usava-se do calendário maia como inspiração para sua profecia. Acontece que os maias realmente tinham uma concepção cíclica do tempo, e 2012 era de fato o fim de um dos seus diversos ciclos de tempo, um ciclo começado no 4 Ahau 8 Cumku (11 de outubro de 3113 a.C.). Este ciclo deveria durar 5125 anos e terminar em 21 de dezembro de 2012. Mas para os maias, este ciclo não foi o primeiro, e após este, surgiriam outros, numa sucessão infinita de ciclos, menores, dentro de outros maiores. Porém, em nenhum deles se previa uma destruição catastrófica do universo. Antecipavam-se caástrofes, cataclimos, é certo, após cada ciclo, mas não o fim desse curso contínuo de ciclos temporais…Contudo, o calendário maia mal foi citado no filme, assim como sequer seu prognóstico chegou a ser discutido.

Pulando essa parte, o filme foi recheado de cenas surreais com efeitos especiais dos quais não posso reclamar.  Mas não tenho a intenção de fazer crítica do filme, apesar de não ter gostado muito mesmo ele tendo um fim mais original que o usual.  Pretendo fazer apenas mais uma observação…nem sei se é muito normal, mas tenho o hábito de sempre prestar atenção à quaisquer livro, filme, cd ou vinil que possa aparecer inocentemente na telinha e depois fico dissecando quais as correlações.  E o que me apareceu neste filme foi o personagem Adrian, eu acho, carregando o livro “A consolação da filosofia” de Boécio. Eu já havia lido esse livro há alguns anos e, resolvi dar uma olhada nas marcações que fiz no livro. Aqui vão algumas que achei interessantes se comparadas ao filme:

“Não é surpreendente que consideremos acidental e caótica uma situação quando ignoramos as leis que a regem.”

“Tudo é conhecido, não é compreendido segundo suas características, mas sim segundo a capacidade daqueles que procuram conhecer.(…)Os sentidos não podem perceber nada além da matéria; a imaginação não é capaz de apreender a idéia geral da espécie; e a razão não pode conceber a forma absoluta. A inteligência, no entanto, como que pairando acima de todas as coisas, não apenas vê a forma absoluta como distingue também a matéria contida na forma, e da mesma maneira distingue o absoluto(…)Todo o conhecimento humano depende de suas faculdades e não da natureza própria das coisas que lhe são alheias”.

“Os espíritos são de tal forma  que, cada vez que eles abandonam as idéias verdadeiras, revestem-se das falsas, o que provoca uma turba de sensações desordenadas, que embaraça a verdadeira percepção.”

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No local de trabalho…

18 12 2009

“_Nossa Fulana, você está diferente hoje. Sei lá, mais bonita..
_Por quê?
_Você está mais arrumada, nunca te vi de decote.
_Olha aqui Sicrano, você gosta do que eu tenho. Mas eu gosto do que você tem frente e verso.”

A outra. Da série: hoje eu quero chocar a sociedade.





Problemas de auto-afirmação.

18 12 2009

“_Eu sou um cara que quando pega uma mulher de jeito, deixa ela de cadeira de rodas.”

Menino do Rio. Da série: coisas que ninguém precisa ouvir, mas que as pessoas insistem em falar.





O modelo é simplesmente o acidente, a ocasião.

17 12 2009

“_Harry _disse Basílio Hallward, fitando-o nos olhos_todo retrato pintado com sentimento é um retrato do artista, não do modelo. O modelo é simplesmente o acidente, a ocasião. Não é ele que o pintor revela; quem se revela sobre a própria tela colorida é o próprio pintor. A razão pela qual não exibirei esse retrato está no temor de mostrar nele o segredo da minha própria alma.”

Oscar Wilde. Livro “O retrato de Dorian Gray”.





Esperando um acontecimento…

17 12 2009

“No fundo da alma, todavia, esperava um acontecimento. Como os marinheiros angustiados, lançava sobre a solidão de sua vida olhos desesperados, procurando ao longe alguma vela branca nas brumas do horizonte. Não sabia qual seria aquele acaso, o vento que o empurraria até ela, para que margens ele a levaria, se seria uma chalupa ou um navio de três pontes, carregado de angústias ou cheio de felicidade até as escotilhas. Mas, cada manhã, ao acordar, esperava-o para aquele mesmo dia e escutava todos os ruídos, levantava-se sobressaltada, espantava-se por ele não chegar; depois, ao anoitecer, cada vez mais triste, desejava já estar no dia seguinte”.

Gustave Flaubert. Livro “Madame Bovary”.





Repetição da mesma vida…

17 12 2009

“León estava cansado de amar sem resultado; além disso, começava a sentir o abatimento causado pela repetição da mesma vida, quando nenhum interesse a dirige e nenhuma esperança a anima. Estava tão entediado com Yonville e com os yonvillenses que a vista de certas pessoas, de certas casas o irritava a ponto de não poder aguentar mais; e o farmacêutico, por mais bonachão que fosse, se lhe tornava completamente insuportável. Todavia, a perspectiva de uma situação nova assustava-o tanto quanto o seduzia.”

Gustave Flaubert. Livro “Madame Bovary”.





Sacrilégios contra o bom gosto.

17 12 2009

“Penso em Fred observando os sacrilégios de Henry contra o bom gosto: acender um fósforo na sola de seu sapato, colocar sal no patê de foie gras, beber os vinhos errados, comer sauerkraut. E adoro tudo isso.”

Anais Nin. Livro “Henry e June”.