Revivendo

28 04 2010

“Encontro a ti em todas estas coisas
para as quais eu sou bom e assim feito um irmão:
nas mais pequenas te assemelhas à semente
e nas maiores deixas ver tua grandeza.

Tal é o jogo maravilhoso das forças
que assim servindo passam por todas as coisas:
nas raízes crescendo, nos troncos se escondendo
e nos ramos como que revivendo.”

Rainer Maria Rilke. Livro “O livro de horas”.





Acredito nas noites

28 04 2010

“Tu, escuridão da qual descendo
de ti gosto mais que da labareda:
ela reduz
o mundo em que reluz
a uma espécie de círculo
fora do qual nenhum ser a conhece.

já a escuridão, em si tudo contém:
formas e flamas e animais, e eu
– assim como também ela reúne
pessoas e potências…

e pode ser isto: uma grande força
a se mover nos subúrbios de mim…

Acredito nas noites.”

Rainer Maria Rilke. Livro “O livro de Horas”.





Dia plástico

28 04 2010

“A hora inclina-se e toca em mim
com claro bater metálico.
Os sentidos me tremem. Sinto: eu posso!
E colho o dia plástico.
Nada estava acabado antes de eu ver:
todo o devir aguardando em quietude.
Maduros meus olhares: a cada um,
como uma noiva, chega a coisa ansiada.
Nada é pequeno para mim: gosto de tudo
e tudo eu pinto sobre ouro com grandeza
e bem alto o levanto – sem saber de quem
vai a alma libertar.”

Rainer Maria Rilke. Livro “O livro de horas”.





Tirando brincos da orelha.

3 04 2010

“Principiou como banquete e converteu-se em festim, mal se sabe como. As altas chamas tremulavam, as vozes estrugiam, confusas canções jorravam dos cristais e das luzes; e finalmente dos ritmos amadurecidos brotou a dança. E a todos arrastou. Era um bater de vagas pela sala _ um encontrar-se e um escolher-se, um despedir-se e reencontrar-se, um embriagar-se de brilho e um cegar-se de luz.”

“A câmara da torre está apagada. Mas eles iluminam seus rostos com sorrisos. Tateiam diante de si como cegos e encontram o outro como uma porta. Quase como crianças assustadas diante da noite, apertam-se um ao outro. No entanto nada temem.Não há nada contra eles: nenhum ontem e nenhum amanhã, pois o tempo se desmoronou. E Ele não pergunta: ‘Teu marido? ‘Ela não pergunta: ‘Teu nome?’ Encontram-se, na verdade,para serem um para o outro,uma nova estirpe. Darão um ao outro cem nomes novos, e tornarão a tirá-los todos,um do outro, de leve,como se tira um brinco de uma orelha.”

Rainer Maria Rilke. Livro “A canção de amor e morte do porta-estandarte Cristovão Rilke”.





Quando se descobrem as repostas, as perguntas mudam.

28 03 2010

“Não busque por enquanto respostas que não lhe podem ser dadas, porque não as poderia viver. Pois trata-se precisamente de viver tudo. Viva por enquanto as perguntas. Talvez depois, aos poucos, sem que o perceba, num dia longínquo, consiga viver a resposta.”

Rainer Maria Rilke. Livro “Cartas a um jovem poeta”.





Coisas indizíveis.

28 03 2010

“Mesmo os melhores se enganam no uso das palavras quando estas tem de significar o que há de mais discreto, de quase indizível.”

Rainer Maria Rilke. Livro “Cartas a um jovem poeta”.





Obra da necessidade.

28 03 2010

“Uma obra de arte é boa quando nasceu por necessidade. Neste caráter de origem está o seu critério, _ o único existente.”

Rainer Maria Rilke. Livro “Cartas a um jovem poeta”.