A função da psicanálise.

3 02 2010

“A única coisa que a psicanálise consegue é fazer a pessoa mais consciente de suas desgraças.”

Anäis Nin. Livro “Henry e June”.

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Quando começariam os momentos monótonos?

3 02 2010

“Anais, eu apenas pensei que a amava, não era nada como esta certeza que está em mim agora. Tudo isso foi tão maravilhoso porque foi breve e roubado? Estávamos representando um para o outro, por causa do outro? Eu fui menos eu, ou mais eu, e você menos ou mais você? É loucura acreditar que isto poderia continuar? Quando e onde os momentos monótonos começariam? Analiso-a tanto para descobrir as possíveis falhas, os pontos fracos, as zonas perigosas. Não as encontro_nenhuma. Isso significa que estou apaixonado, cego, cego, cego. Ficar cego para sempre.”

Anäis Nin. Livro “Henry e June”.





Sem fala.

3 01 2010

“O homem voltou. Mas dessa vez não desejava comprar nada. Ficou parado olhando para ela, o rosto comprido e finamente  esculpido, sorridente, os gestos elegantes transformando o ato de acender um cigarro em um ritual, e disse: — Desta vez eu voltei para ver você. O coração de Mathilde bateu tão depressa que ela sentiu ser aquele o momento esperado havia tantos anos. Quase ficou na ponta dos pés para ouvir o resto de suas palavras. Era como se fosse a mulher luminosa sentada no camarote escuro recebendo as insólitas flores. Mas o simpático escritor grisalho disse com voz aristocrática: — Assim que vi você, meu membro ficou duro dentro das minhas calças. A crueza daquelas palavras foi como um insulto. Ela enrubesceu e o esbofeteou. A cena foi repetida diversas ocasiões. Mathilde descobriu que, quando aparecia, os homens geralmente ficavam sem fala, privados de qualquer inclinação para um namoro romântico. Palavras como aquelas eram pronunciadas assim que a viam. O efeito produzido por Mathilde era tão direto que eles eram capazes apenas de exprimir sua perturbação física. Em vez de considerar isso um tributo, ela se magoava profundamente.”

Anais Nin. Livro “Delta de Vênus”, conto Mathilde.





Esperando.

3 01 2010

“Enquanto esperava o trem para Monteux, Elena examinava as pessoas que a cercavam na plataforma. Toda viagem lhe despertava a mesma curiosidade e esperança que se sente diante de uma cortina que é erguida em um teatro, a mesma expectativa e ansiedade. Separou mentalmente vários homens com quem gostaria de conversar, perguntando-se se eles iriam viajar ou se estariam presentes apenas para se despedir de outros passageiros. Seus anseios eram vagos, poéticos. Se alguém lhe perguntasse o que estava esperando, poderia muito bem responder: ‘Le merveilleux’ O tipo da coisa imprecisa, que não se originava de qualquer região precisa de seu corpo. Era verdade o que alguém lhe dissera depois de ter criticado um escritor que conhecera: ‘Você não pode vê-lo como ele realmente é, você não é capaz de ver ninguém com seu rosto e sua verdadeira personalidade. Sempre se sentirá desapontada porque sempre estará esperando por um certo alguem’. Sim, ela estava esperando que aparecesse alguém muito especial, toda vez que uma porta se abria, sempre que ia a uma festa, que se aproximava de qualquer grupo de pessoas, quando entrava em um café ou em um teatro. Nenhum dos homens que selecionara como companhias desejáveis para sua viagem tomou o trem. Restava-lhe o livro que trouxera: O amante de Lady Chatterley.”

Anais Nin. Livro “Delta de vênus”, conto Elena.





Sinto sua presença antes de vê-lo.

2 01 2010

“Eu caminho esquecendo-me em lembranças de Henry_como seu rosto se parece em determinados momentos, sua boca travessa, o som exato de sua voz, às vezes áspera, o aperto firme de sua mão, como ele ficou no casaco verde usado de Hugo, seu riso no cinema. Ele não faz um movimento que não reverbere em meu corpo. Tem a mesma altura que eu. Nossas bocas ficam no mesmo nível. Ele esfrega as mãos quando está excitado, repete palavras, sacode a cabeça como um urso. Tem um olhar sério e casto quando trabalha. Numa multidão, sinto sua presença antes de vê-lo.”

Anais Nin. Livro “Henry e June”.





Raiada de vedete.

2 01 2010

“Foi presunção minha querer alterar a língua dela. Se não é inglês, é uma língua de qualquer maneira e quanto mais longe se acompanha a mesma, mais vital e necessária ela parece. É uma violação de língua que corresponde à violação de pensamento e sentimento. Não podia ter sido escrito num inglês que qualquer escritor capaz consegue usar…
Acima de tudo é a língua da modernidade, a língua de nervos, repressões, pensamentos dissimulados, processos inconscientes, imagens não inteiramente divorciadas de seu conteúdo onírico: é a língua dos neuróticos, dos pervertidos, ‘raiada de vedete’, como Gaultier colocou, referindo-se ao estilo da decadência…”

Anais Nin. Livro “Henry e June”.





Sacrilégios contra o bom gosto.

17 12 2009

“Penso em Fred observando os sacrilégios de Henry contra o bom gosto: acender um fósforo na sola de seu sapato, colocar sal no patê de foie gras, beber os vinhos errados, comer sauerkraut. E adoro tudo isso.”

Anais Nin. Livro “Henry e June”.