semideus enaltecido

24 04 2011

“Que é o homem, esse semideus tão enaltecido? Não lhe faltam forças precisamente quando lhe são mais necessárias? Seja quando manifeste a alegria ou mergulhe na dor, não é bruscamente detido, bruscamente levado de volta ao sentimento frio e limitado de si mesmo, no momento em que aspirava perder-se na vastidão do infinito?”

Goethe. Livro “Os Sofrimentos do jovem Werther”.

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Os homens sensatos são uma vergonha

24 04 2011

“- Oh! Essa gente sensata! – exclamei, sorrindo. – Paixão! Embriaguez! Loucura! Vocês, os razoáveis, permanecem tão calmos, tão indiferentes, condenando os bêbados, repelindo os tresloucados, e seguem seu caminho como um sacerdote e agradecem a Deus, como um fariseu, por Ele não os ter feito iguais aos outros. Mais de uma vez embriaguei-me, vivi paixões que me levaram à beira da loucura, e de nada me arrependo, pois dessa forma compreendi por que homens notáveis, de todos os tempos, que fizeram alguma coisa expressiva, alguma coisa grande, foram chamados de bêbados ou loucos. Entretanto, mesmo na vida mais comum, quando alguém realiza algo inesperado, diferente, é insuportável ouvirmos a acusação: “Esse homem está bêbado, está fora de si!”. Os homens sensatos são uma vergonha!”

Goethe. Livro “Os sofrimentos do jovem Werther”.

 





meu coração é só meu

24 04 2011

“Ele também aprecia mais o meu raciocínio e o meu talento do que este coração, sem dúvida o meu único orgulho, a fonte de tudo, de toda energia, de toda ventura e de toda desgraça. Ah, o que eu sei, qualquer um pode saber…Mas o meu coração é só meu.”

Goethe. Livro “Os sofrimentos do jovem Werther”.





Por mais limitado que esteja

19 04 2011

“Que a vida humana é apenas um sonho outros já disseram, mas também a mim esta idéia persegue por toda a parte. Quando penso nos limites que circunscrevem as ativas e investigativas faculdades humanas; quando vejo que esgotamos todas as nossas forças em satisfazer nossas necessidades, que apenas tendem a prolongar uma existência miserável; quando constato que a tranquilidade a respeito de certas questões não passa de uma resignação sonhadora, como se a gente tivesse pintado as paredes entre as quais jazemos presos com feições coloridas e perspectivas risonhas ─ tudo isso, Guilherme, me deixa mudo. Meto-me dentro de mim mesmo e acho aí um mundo! Mas antes em pressentimentos e obscuros desejos que em realidade e ações vivas. E então tudo paira a minha volta, sorrio e sigo a sonhar, penetrando adante no universo.

Que as crianças não sabem o porquê de desejarem algo, todos os pedagogos estão de acordo. Mas que também homens feitos se arrastem como crianças, titubeando sobre a face da terra, e, exatamente como elas, não saibam de onde vêm e para onde vão, até mesmo que não têm um fim determinado para suas ações, igualmente governados por biscoitos, balas e chibatas, ninguém faz gosto em acreditar. Quanto a mim, parece-me que não há realidade mais palpável do que essa.

Concordo de boa vontade, até porque sei o que vais me dizer a respeito disso, que são exatamente essas as pessoas mais felizes. Essas mesmas que, como crianças, vivem o dia-a-dia sem pensar no futuro, arrastam suas bonecas por aí, vestem-nas, despem-nas, e volteiam cheias de respeito diante da gaveta onde mamãe chaveia os bombons, e quando logram êxito, fazendo com que ela os dê, devoram-nos estufando a boca e gritando: Mais!… Sim, estas é que são criaturas felizes!

A coisa também vai bem para aqueles que dão um título imponente para seus trabalhos vagabundos, ou até para seus sofrimentos, e os descrevem como obras gigantescas feitas em prol da salvação e da prosperidade do gênero humano… Feliz daquele que consegue proceder assim! Mas aquele que reconhece em sua humildade onde tudo isso vai parar, quem vê quão gentil é o burguês ao ornamentar seu jardinzinho e elevá-lo à categoria de paraíso; quem tem noção de como o infeliz se arrasta infatigável pelo caminho, sob seu fardo, interessado apenas em contemplar por um minuto a mais a luz do sol – este, asseguro, também é tranquilo e, ao construir um mundo dentro de si, é feliz do mesmo jeito por ser humano. E então, por mais limitado que esteja em seus movimentos, ele mantém no coração a doce sensação da liberdade, sabendo que poderá deixar o seu cárcere quando quiser.”

Goethe. Livro “Os sofrimentos do jovem Werther”.





Dose diária mínima de loucura

11 04 2011
“Todas as coisas são de tal natureza que, quanto mais

abundante é a dose de loucura que encerram, tanto maior é o bem que proporcionam aos

mortais. Sem alegria, a vida humana nem sequer merece o nome de vida. Mergulharíamos

na tristeza todos os nossos dias, se com essa espécie de prazeres não dissipássemos o tédio

que parece ter nascido conosco.”

 Erasmo de Rotterdam. Livro “Elogio da loucura”.





Mulheres à beira de um ataque de nervos

11 04 2011

“Acreditai-me, pois, que todo aquele que, agindo contra a natureza, se cobre com o manto da virtude, ou afeta uma falsa inclinação, ou não faz senão multiplicar os próprios defeitos. E isso porque, segundo o provérbio dos gregos, o macaco é sempre macaco, mesmo vestido de púrpura. Assim também, a mulher é sempre mulher, isto é, é sempre louca, seja qual for a máscara sob a qual se apresente.”

Erasmo de Rotterdam. Livro “Elogio da loucura”.





Loucura

10 04 2011

“Afirmo, pois, de acordo com esse raciocínio, que a felicidade da velhice supera a da meninice. Não se pode negar que a infância é muito feliz; mas, nessa idade, não se tem o prazer de tagarelar, de resmungar por trás de todos, como fazem os velhos, prazer que constitui o principal condimento da vida. Outra prova do meu confronto é a recíproca inclinação que se nota nos velhos e nos meninos, e o instinto que os leva a manterem entre si boas relações. Assim é que se verifica que todo semelhante ama o seu semelhante.
De fato, essas duas idades têm uma grande relação entre si, e não vejo nelas outra diferença senão as rugas da velhice e a porção de carnavais que os primeiros têm sobre a corcunda. Quanto ao mais, a brancura dos cabelos, a falta dos dentes, o abandono do corpo, o balbucio, a garrulice, as asneiras, a falta de memória, a irreflexão, numa palavra, tudo coincide nas duas idades. Enfim, quanto mais entra na velhice, tanto mais se aproxima o homem da infância, a tal ponto que sai deste mundo como as crianças, sem desejar a vida e sem temer a morte.”

Erasmo de Rotterdam. Livro “Elogio da Loucura”.