É proibido proibir.

6 05 2010

“Agora, por exemplo, levas contigo, há já quase um ano, um instinto mais forte do que todos os demais e que se rotula como “proibido”. No entanto, os gregos e muitos outros povos fizeram desse mesmo instinto uma divindade à qual rendiam culto em grandes festas. O “proibido” não é, pois, eterno, e sim sujeito a mudanças. Da mesma forma, hoje qualquer um pode deitar-se licitamente com uma mulher, desde que a tenha levado antes à presença de um sacerdote e se tenha casado com ela. Mas há outros povos entre os quais se procede diferentemente. Por isso, cada um de nós tem que encontrar por si mesmo o “permitido” e o “proibido” relativamente à sua própria pessoa… o que é proibido a cada um de nós. Podemos deixar de fazer tudo o que for proibido e sermos, a despeito disso, um ressumado patife. E vice-versa. Em suma, tudo não passa de uma questão de comodidade! Aquele que acha mais cômodo não ter que pensar por si mesmo e ser seu próprio juiz acaba por submeter-se às proibições vigentes. Acha isso mais simples. Mas há outros que sentem em si mesmos sua própria lei, e consideram proibidas certas coisas que os homens de bem perpetram a todo instante e permitem outras sobre as quais recai uma geral interdição. Cada qual tem que responder por si mesmo.”

Hermann Hesse. Livro “Demian”.


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