Tirando brincos da orelha.

3 04 2010

“Principiou como banquete e converteu-se em festim, mal se sabe como. As altas chamas tremulavam, as vozes estrugiam, confusas canções jorravam dos cristais e das luzes; e finalmente dos ritmos amadurecidos brotou a dança. E a todos arrastou. Era um bater de vagas pela sala _ um encontrar-se e um escolher-se, um despedir-se e reencontrar-se, um embriagar-se de brilho e um cegar-se de luz.”

“A câmara da torre está apagada. Mas eles iluminam seus rostos com sorrisos. Tateiam diante de si como cegos e encontram o outro como uma porta. Quase como crianças assustadas diante da noite, apertam-se um ao outro. No entanto nada temem.Não há nada contra eles: nenhum ontem e nenhum amanhã, pois o tempo se desmoronou. E Ele não pergunta: ‘Teu marido? ‘Ela não pergunta: ‘Teu nome?’ Encontram-se, na verdade,para serem um para o outro,uma nova estirpe. Darão um ao outro cem nomes novos, e tornarão a tirá-los todos,um do outro, de leve,como se tira um brinco de uma orelha.”

Rainer Maria Rilke. Livro “A canção de amor e morte do porta-estandarte Cristovão Rilke”.


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