Sua pele estava vazia para o beijo.

8 12 2009

“Liesel tirou da bolsa A Sacudidora de Palavras e mostrou uma página a Rudy. Nela havia um menino com três medalhas penduradas no pescoço. — “Cabelos da cor de limões” — leu Rudy. Seus dedos tocaram as palavras. — Você falou de mim com ele? No começo, Liesel não conseguiu dizer nada. Talvez fosse a súbita turbulência do amor que sentiu por ele. Ou será que sempre o tinha amado? Era provável. Impedida como estava de falar, desejou que ele a beijasse. Quis que ele arrastasse sua mão e a puxasse para si. Não importava onde a beijasse. Na boca, no pescoço, na face. Sua pele estava vazia para o beijo, esperando. Anos antes, quando os dois haviam apostado corrida num campo lamacento, Rudy era um conjunto de ossos montado às pressas, com um riso Cristo crucificado! Sob o arvoredo, nessa tarde, era um doador de pão e Ursinhos de pelúcia. Um tríplice campeão de atletismo da Juventude Hitlerista. Era seu melhor amigo. E estava a um mês de sua morte. — É claro que falei de você com ele — disse Liesel. Estava se despedindo, e nem sabia.”

Markus Zusak. Livro “A menina que roubava livros”.


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