Recebeu os socos como se fossem presentes.

8 12 2009

“Ela escapou das garras das palavras de Rudy e ignorou as pessoas ao lado que a observavam. Quase todas estavam mudas. Estátuas com o coração batendo. Talvez espectadores das etapas finais de uma maratona. Liesel tornou a gritar e não foi ouvida. Tinha o cabelo nos olhos. — Por favor, Max!
Depois de uns trinta metros, talvez, no exato momento em que um soldado se virava para olhar, a menina foi derrubada. As mãos fecharam-se sobre ela por trás, feito pinças, e o menino da casa ao lado jogou-a no chão. Fincou-lhe os joelhos na rua, à força, e suportou o castigo. Recebeu os socos como se fossem presentes. As mãos e cotovelos ossudos da menina foram acolhidos sem nada além de pequenos gemidos. Rudy acumulou os borrifos ruidosos e desajeitados de saliva e lágrimas, como se fossem um afago encantador em seu rosto, e, o que é mais importante, conseguiu segurá-la no chão. Na Rua Munique, um menino e uma menina se entrelaçaram. Ficaram incomodamente retorcidos no chão. Juntos, viram os seres humanos desaparecerem. Viram-nos dissolver-se feito pastilhas móveis no ar úmido.”

Markus Zusak. Livro “A menina que roubava livros”.


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