O tédio.

8 12 2009

“Mas não há tédio como o tédio americano. A gente não pode vê-lo, não sabe de onde vem. Imagine um desses bares de coquetel no final de uma rua escondida_todo quarteirão tem seu bar, drugstore, supermercado e loja de bebidas. A gente entra e o negócio nos pega. Mas de onde vem isso?
Não é o barman nem os clientes, nem a cobertura de plástico colorido creme que envolve os banquinhos do balcão, nem a luz difusa do neon. Nem mesmo a televisão.
E nossos vícios aumentão com o tédio, como a cocaína nos ajuda a evitar a depressão. E a droga começava a escassear. E lá estávamos nós nesta cidade sem heroína, na base de xarope contra tosse. E vomitamos o xarope e continuamos a viagem, adiante e sempre, e o vento frio da primavera assobiando em volta de nossos corpos suados e tremendo, e sentimos o frio que se apodera da gente quando a droga começa a falar…Através da paisagem nua, tatus mortos na estrada e urbus sobre o pântano e troncos de cipretes. Motéis com paredes de fibras prensadas, calefação a gás, finos cobertores cor-de-rosa.”

William S. Burroughs. Livro “Almoço Nu”.


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